Tenho um armário secreto…
Guardado em um quarto secreto…
Este armário secreto possui uma gaveta secreta, onde guardo alguns tesouros secretos.


Ali, onde só eu conheço o segredo e possuo as chaves, guardo o meu tesouro:
Um pequeno camafeu de porcelana branca, nele pintado à mão um lindo roseiral, guardo ali uma mágoa profunda e uma rejeição inconfessa.

Há também uma pequena caixinha de prata, sempre polida e brilhante, ali guardo ressentimentos profundos e uma vingança planejada.

Há também uma caixinha de música, que quando se abre não rodopia nenhuma bailarina e a melodia ouvida é um murmúrio de queixas, de reclamações.

Há também um pequeno frasco de perfume nunca usado, mas quando entro em meu esconderijo gosto do olor que exala pelo quarto.
O frasco que guardo tem a fragrância do pecado praticado e jamais confessado.

Há também uma bolsinha de veludo vermelho que se fecha com um cordãozinho torcido de fios de seda azul, ali guardo algumas moedas raras, são minhas e são o meu tesouro.

Moedas de ouro que coleciono a cada vez que nego o perdão e pratico uma calúnia.
Há também um lindo colar de pérolas negras, concebido com engano, com mentiras.
Ali guardo também um anel de safira branca cravejado com medo e decepção.
Há alguns colares com medalhões de ouro puro, são o meu orgulho e a minha presunção.
Há uma tiara com diamantes raros conquistado pela falta de santidade e uma incredulidade maligna.
Minhas joias são guardadas dentro de um bauzinho de madeira entalhado por mãos habilidosas envoltas em um lenço de seda, bordado a mão as iniciais do meu nome.

Um dia perdi a chave do meu quarto secreto.
Entrei em desespero…
Era meu tesouro secreto e era só meu.
Precisava encontra-la e procurei de forma frenética por toda a casa e não a encontrei…
Então ao passar em frente do imenso espelho de cristal que ornava a sala de jantar sobre um aparador de madeira escura, descobri que eu havia perdido a máscara que cobria a meu rosto e depois de tantos anos vi a minha face verdadeira no reflexo do espelho.
Aqueles mesmos olhos que tantas vezes em secreto chorou necessitando de arrependimento e perdão, agora possuía o brilho da confissão.
Havia passado o tempo de estio…
O meu coração ora destronado então se curvou diante do trono do perdão.
Confissão, arrependimento e perdão, ornamentos reluzentes.
São eles agora as minhas joias, não guardadas em segredo, mas visto diante de todos.
São cristais reluzentes que brilham de um coração contrito e ilumina a face deste descobridor.
Agora uma presença constante me embala e eu tenho aprendido a descansar à sombra do Altíssimo.
Ali é a minha morada eterna, livre dos grilhões e das algemas que eu acreditava serem as minhas riquezas.
Encontro marcado entre a Vida e a morte, prevalecendo uma vontade perfeita e apaixonada da Vida sobre a morte, gerando em mim a liberdade sonhada.
Livre para ser perdoada e para perdoar, livre para amar e para ser amada, livre para adorar e para servir, recebendo do alto a graça genuína do perdão coroado com o perfeito amor.
O riso agora companheiro de todas as horas marca o compasso do meu dia.
Então sorri para mim mesma, eu não queria mais aquele tesouro insano.
Ao conhecer o verdadeiro Amor, caiu a minha máscara que era a chave dos meus segredos, e somente assim “o Amor do Pai do Céu” me inundou, e agora livre, descobri que o meu maior tesouro não esta em secreto, mas me circunda como um manto que reluz para o mundo conhecer, que há um tesouro verdadeiro nas mãos de todo aquele que crê.

Lucivone Melo

Deixe uma resposta