Senhor…

…certamente sou uma grande farsa, pelo menos é assim que sinto. Nunca as Palavras que dizem:

“…eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado. Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e sim o que detesto…” e “…Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim” (Romanos 7:14-21)

tiveram tanto sentido. Minha alma exulta de estar aqui, mesmo com dor, vergonha, medo; talvez me falte temor de estar em tua presença tão aquém do que deveria, mas não tenho para onde ir. Mal tenho coragem de olhar no espelho, meu reflexo se tornou meu maior juiz, a grande farsa me olha com um desdém ácido e cortante. Sua voz, Senhor, tem suavemente ecoado de diversas formas, não sou capaz de opô-la, nem de resistir então a ignoro, encho minha vida de afazeres, minha mente de anseios, para que, me ocupando com tudo, não tenha tempo de olhar para mim em tua santa presença. Glorifico ao Senhor por não ter o mesmo sentimento que tenho, certamente já teria aberto mão de mim mesmo. A minha mente explode, milhões de pensamentos vem e vão. Será que a ignorância seria menos aflitiva? Será que o não saber seria menos doloroso, menos culposo? Certamente não seria, mas o que dizer das palavras que afirmam que a força do “chicote” seria proporcional ao entendimento de ti? Ah que aflição! Tão perto e mesmo assim tão longe! Entender a tua graça e mesmo assim não beber dela, é como se ela percorresse minhas veias e como se o meu sangue, sangue de um pecador a combatesse como um vírus letal. E não seria? Certamente em minha vida decretaria a minha imediata morte. Que insensatez! Buscando ser encontrado e cada vez mais perdido. Eu me rendo! Não consigo mais. Desisto! Desisto! Desisto!

Se estou desistindo de ti? Não! Estou desistindo de mim, de tentar, de lutar, de dar desculpas, de mentir, de fingir, de viver algo que não existe, eu desisto! Desisto do medo, da culpa de tentar e nunca conseguir.

E me rendo, sem forças, sem coragem, sem ânimo, sem fé, sem alegria, sem paz, sem vida…

…Mas com um enorme desejo de que tudo isso fosse diferente e a verdade da comunhão contigo existisse, findo essa oração dizendo: Livra-me de mim, eu desisto.

 

No Amor de Cristo,

Alessandro Rocha

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