Quão importante é a Confissão de Westminster para os herdeiros da reforma protestante?
Richard Baxter, reconhecido autor puritano de belíssimos e bíblicos livros (como O Pastor Aprovado), disse a respeito da Assembleia de Westminster:
“Não sendo eu valoroso o suficiente para fazer parte desta Assembleia, tenho mais liberdade para falar a verdade de que, tanto quanto posso julgar pela informação de toda a história e por todas as outras evidências deixadas para nós pelo mundo cristão desde os dias dos Apóstolos, nunca houve um sínodo de tão excelentes teólogos quanto este, e, o Sínodo de Dort”.

Henry Neill, outro renomado autor, disse:
“Se considerarmos quem são os teólogos, ali participantes; as causas que os uniram; a industriosidade com que laboraram; o cuidado com que foram selecionados; os estímulos sob os quais lavraram; o estado de despertamento de toda a mente da Bretanha; e a tarefa designada para eles; seria surpreendente, pois estes homens aperfeiçoaram um tal corpo de pensamentos, o qual, durante a história deste mundo, não poderá morrer!”

Uma das razões para tal apreço por este documento é o fato de que ele incorpora e sistematiza dois séculos de reflexão teológica mundial por parte de igrejas oriundas da reforma em toda a Terra; reflexão esta que, segundo o ideal da Reforma Protestante, origina-se e limita-se ao que, a Escritura ensina, colocando-a como suprema e suficiente regra de fé e prática, sem, entretanto, departir do ensino histórico da Igreja de Cristo, entregue a nós por abençoados pregadores e expositores da Palavra dos séculos passados.

É certo, portanto, afirmar que, de certa forma, as declarações doutrinárias a serem registradas na Assembleia de Westminster tiveram seu início como expressão da fé corporativa da igreja nos concílios e credos da igreja antiga e, mais proximamente, nos Sínodos das igrejas reformadas em todo o mundo no século XVI. Embora, os inimigos da reforma, usualmente, imaginem uma descontinuidade entre a história da igreja, as declarações de fé do século XVI e os documentos de Westminster, a verdade é, que, não há ‘novidade’ na obra teológica britânica, há de fato, o estabelecimento de um completo Sistema Doutrinário Reformado, fiel a Escritura e verdadeiramente representativo da Fé Reformada, Histórica e Universal da Igreja de Cristo.

A Assembleia buscou, antes de iniciar seu trabalho, “o exemplo das melhores igrejas reformadas”, conforme, estabelecido na Liga Solene e Aliança; portanto, uma extensiva pesquisa foi feita para alcançar a elaboração de documentos que fossem “instrumentos de união na Escócia, Irlanda e Inglaterra; e, até mesmo, em todo o mundo”.

Foram convidados ou foi estabelecida uma ligação com toda a igreja reformada no mundo, com toda a riqueza teológica de homens que eram herdeiros da Reforma, sem impor uniformidade prévia alguma: congregacionais, saumurianos, amiraldianos, calvinistas supra ou infralapsarianos, preladistas, erastianos e presbiterianos. A assembleia examinaria os argumentos de todos pela Escritura, pesaria e declararia em falta, com rejeição, aqueles que, não se provassem verdadeiros pela medida do Sagrado Cânon da Bíblia.

Foram convocados da Nova Inglaterra John Cotton e Thomas Hooker, além de John Davenport (que também compareceu ao Sínodo de Dort) – estes homens não puderam estar presentes, mas mantiveram correspondência com a assembleia, e foram representados por seus escritos e por John Phillips e Henry Vane Jr., pois ambos viveram algum tempo no ‘Novo Mundo’. De descendência Huguenote (da Igreja Reformada da região da França) foram convocados Philippé Delmé, Samuel de la Place e Jean de la March – conhecedores dos Sínodos dos Huguenotes do século XVI e das Confissões Helvéticas e Galicana.

É interessante notar que, os Sínodos dos Huguenotes no século XVI parecem ter sido os primeiros a declarar, com bases doutrinárias expressas, expostas para toda a igreja, sob a qual, possuíam jurisdição, algumas práticas advogadas claramente pelos Documentos de Westminster, como o cântico exclusivo dos Salmos (do Livro de Salmos), no Culto Público. Registra-se, ainda, que havia um delegado da Alemanha, dois ou três da Irlanda, e alguns conhecedores da Igreja da Holanda (onde muitos ingleses haviam se refugiado da perseguição de Laud). O Parlamento também nomeou para a assembleia dois teólogos de cada província da Inglaterra, um de cada província de Gales.

Da Escócia, seis comissários foram convocados, da Igreja Anglicana o arcebispo de Armagh, James Ussher que, embora não tenha atendido o chamado, foi representado pelos artigos da religião da Irlanda, dos quais, ele fora um dos principais autores e, em cuja influência nos documentos de Westminster é notável.

De fato, sobre esta geral convocação, um dos homens mais destacados na comissão escocesa, Alexander Henderson, afirmou: “a união bem próxima das igrejas na Bretanha foi tomada como de grande valor [pela Assembleia]… como um passo em direção a assegurar a união de todas as igrejas da reforma”; tal consideração para com as igrejas, então, reformadas foi recíproca, tendo a assembleia mantido correspondência e contato com os presbitérios e classis e sínodos de Walcheren, Zeeland, N. Holland, Amsterdam, Utrecht, Gelderland, Hamburgo, Hesse, Genebra, Zurique, França, Hungria, Romenia, Polônia, Suécia e outras.

A piedade e amor pela Escritura marcavam profundamente esta assembleia, cujas discussões eram sempre precedidas de orações e súplicas. Os participantes muitas vezes jejuavam e clamavam fervorosamente ao Senhor por sabedoria. O entendimento das doutrinas bíblicas discutidas não vinha somente de estudos e comissões, resultavam-se ao bom uso dos meios que, Deus determinou para Seu povo.

Pregavam poderosos e firmes sermões uns para os outros, expondo, de púlpito, em culto ao Senhor, as Escrituras para mútua edificação. O piedoso William Beveridge nos conta, para precioso e benéfico testemunho, que, embora houvesse temas controversos, “no geral a unanimidade era… maravilhosa… e marcante.” Como foi naqueles dias é certo que, ainda mais, para nós, hoje, o testemunho de amor e fidelidade daqueles homens é um precioso remédio da graça de Deus, em nosso Senhor, segundo Sua promessa de edificar a Sua igreja, para que, caminhemos em franco conhecimento de Deus e verdadeira unidade, transformados pelo Seu Espírito, para Sua glória, em uma só mente, um só corpo, como nosso Senhor mesmo é, para como nosso Pai, perfeito em unidade.

Uma breve descrição dos trabalhos da Assembléia

A obra da Assembleia de Westminster começou com a revisão dos 39 Artigos da Igreja da Inglaterra. Neste período de estudos, para progresso do Reino de Cristo, acordou-se receber três enviados da Igreja da Escócia com a proposta da Liga Solene e Aliança. A Liga Solene e Aliança se tornou a base de todo o trabalho da assembleia, a uniformidade que unifica toda sua produção teológica e o registro da piedade daqueles homens, na forma de uma evocação de um pacto nacional entre Deus e todos os homens que eram fiéis ao Senhor na Grã-Bretanha.

O progresso da obra da assembleia, em suas reuniões e estudos da Escritura, ainda não foi, deste ponto, a Confissão e os Catecismos. Mas, de acordo com o que foi tomado por estes homens na Liga Solene, como um dos quatro pilares que a Escritura estabelece para a reforma e vivificação da igreja, passaram a elaboração de um diretório de culto ou liturgia para uso, pelos Cristãos. “O Diretório para o Culto Público a Deus” e a “Forma de Governo da Igreja” foram elaborados e aceitos pela Assembleia de Westminster e apresentados a Igreja da Escócia. Foram aprovados na Assembleia Geral da Igreja da Escócia em Fevereiro de 1645.

Em Agosto de 1644, um comitê fora apontado para a elaboração da Confissão de Fé, depois que os debates sobre o culto e a forma de governo se assentaram. O progresso da Confissão de Fé foi tumultuado, e os catecismos, igualmente, com muitas discussões e revisões, foram compostos sobre a Confissão de Fé. Somente em 27 de Agosto de 1647, a Confissão fora aprovada na Assembleia Geral da Igreja da Escócia. Em 15 de Outubro, o Catecismo Maior, foi terminado – um “catecismo de púlpito”, profundamente doutrinário, mas nos limites da confissão. Em, 25 de Novembro, o Catecismo Menor foi terminado.

Em Julho de 1648, os Catecismos foram aprovados em assembleia na Igreja da Escócia. Sob pedido de Samuel Rutherford, foi anotado nas atas:

“A Assembleia gozou da assistência dos honoráveis reverendos e mestres comissionados da Igreja da Escócia na obra da assembleia; durante todo o tempo do debate e aperfeiçoamento dos quatro ‘pilares’ mencionados na Liga Solene e Aliança, a saber: o Diretório de Culto, a Confissão de Fé, a Forma de Governo da Igreja, e o Catecismo(s)…”

Conclusão

A Escritura nos ordena que, como igreja, nos mantenhamos firmes na forma da sã e ressoante doutrina que recebemos de Cristo pelas mãos dos santos escritores da Sagrada Bíblia, lutando com todas as forças pela continuidade desta Palavra entre nós, resistindo aos ataques com um só Espírito, com uma só alma, lutando pela fé no Evangelho de nosso Senhor e Salvador [Fl 1:27; 2 Tim. 1:13; Jd. 3]. Entretanto, nossos inimigos nesta batalha com aparência de cordeiro, também tomam sobre si o nome de Cristo, chamando-se cristãos, e alegam atender a mesma Palavra que nós, usando a Escritura na promoção de seus descaminhos e heresias, torcendo-a para sua própria perdição.

Quão útil é, então, que possuamos e apliquemos o ensino passado a nós de geração em geração, dado pelo Senhor para Sua igreja, como poderoso testemunho do Espírito? Não nos exige mesmo isto, a Palavra, que honremos nossos Pais na fé, que pregaram, ao custo de suas vidas, mesmo até o martírio, as boas novas de Cristo, para que, hoje, tenhamos nossas igrejas estabelecidas? Não clama a Palavra para que não removamos os antigos marcos? E todas estas coisas nós recebemos nestes Documentos de Westminster, que tão precisamente, para nosso proveito e gozo, nos guiam no estudo da Palavra, e traçam, claramente, a divisão entre verdade e mentira, salvação e perdição, obediência e morte, tendo por base a Bíblia, e, a Bíblia somente. Por isso, com alegria, exaltamos esta obra humana, ainda que imperfeita, ao mesmo marco de outras, também, imperfeitas obras, porém, inestimáveis componentes da herança e riqueza da Igreja de Cristo. Utilíssimas armas nas batalhas contra o Anticristo, como o Credo Apostólico e o Credo Niceno, reconhecendo nestas coisas a concreta ação do Senhor, preservando, guiando e instruindo Seu povo, por meio dos pastores e mestres que, com Seu Sangue e Sacrifício, adquiriu como dons para nós.

Aguardem a Parte 5: A CONFISSÃO DE FÉ

Fonte: https://iprbsp.wordpress.com/

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