Mas a Palavra de Deus dirigida aos homens possui uma realidade ainda maior que qualquer mera verdade abstrata: ela possui uma relação imediata com Deus.

Não temos nela as ideias dos homens a respeito de Deus; não temos os raciocínios das mentes humanas, mesmo que sejam coerentes. Tampouco é ela a verdade, como é em Deus, submetida de forma abstrata à capacidade dos homens para que eles possam julgá-la.

É Deus quem Se apresenta ao homem, quem fala a ele, quem comunica os pensamentos que são só dEle. Pois se fosse para o homem julgá-los, então não seriam as palavras de Deus proclamadas como tais. “Havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus”, diz o apóstolo, “a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus” (1 Ts 2:13).

O efeito produzido no homem — o efeito que o leva a reconhecer a verdade e autoridade da Palavra — tem sido frequentemente confundido com um julgamento humano a respeito da Palavra como algo que dependesse do homem.

A Palavra nunca pode apresentar-se assim. Isto seria negar sua própria natureza; seria dizer que não é o meu Deus quem fala. Acaso poderia Deus dizer que não é Deus? Já que isto seria impossível, então Ele não poderia se pronunciar e dizer que a Sua Palavra não tem autoridade em si mesma.

A Palavra é adaptada à natureza do homem: A vida é a luz dos homens. Muitas coisas fazem efeito conforme a natureza do que as recebe, sem julgá-las. É o que acontece com toda ação química. Eu tomo um medicamento e experimento seu efeito. Ele age de acordo com minha natureza.

Assim fico convencido de seu efeito e do poder daquele medicamento. Minha opinião a respeito do medicamento não muda coisa, como se este estivesse sujeito ao meu julgamento. Ocorre a mesma coisa, por meio da graça, com a revelação de Cristo, exceto pelo fato de que o ímpio desejo do homem se opõe a ela e a rejeita, de forma que ela se torna um “cheiro de morte para morte” (2 Co 2:16).

A Palavra de Deus nunca é julgada quando produz seu efeito; é ela que é apta para julgar “os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12). O homem não a julga; o homem se submete a ela.

J.N. Darby
Fonte: http://novotestamento-darby.blogspot.com.br/
darby1John Nelson Darby (18 de novembro de 1800 – 29 de abril de 1882) foi um estudante de Direito e pregador anglo-irlandês e figura de grande influência entre Irmãos de Plymouth. Desenvolveu a doutrina do dispensacionalismo. Realizou uma tradução da Bíblia baseada nos textos hebraicos e gregos, chamada em inglês The Holy Scriptures: A New Translation from the Original Languages by J. N. Darby, também traduzida para o alemão e francês.

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