Todavia pode ocorrer de a graça se dirigir aos homens de acordo com a condição deles [1], em conformidade com a fidelidade de Deus às Suas promessas, e em conexão com os Seus caminhos, os quais Ele já lhes ensinou de antemão.

Isto não quer dizer que a luz que veio ao mundo seja embaçada ou diminuída para se acomodar à escuridão. Se assim fosse, ela deixaria de ser a luz que é, e nem seria capaz de levantar o homem, livrando-o da condição em que está. Mas ela é comunicada de maneira que fique ao alcance dos homens e seja aplicável à condição deles. Era o que eles precisavam; era o que estava à altura de Deus. Somente Ele poderia fazê-lo.

Isto é igualmente verdade no que diz respeito aos assuntos que o Senhor trata e são comunicados pelo Espírito Santo através dos apóstolos. O Senhor pode falar aos judeus convertidos, porém ainda ligados ao sistema judaico, a fim de expor a esse povo as intenções de Deus, o qual é sempre fiel às Suas promessas. Como Ele pode também, depois de ter sido exaltado nas alturas, comunicar através do Seu Espírito todas as consequências da união da igreja Consigo nos lugares celestiais, independente dos desígnios de Deus para a terra.

Para os que estejam se alimentando de elementos mundanos e contrários àquilo que é celestial e elevado — aqueles que ainda não se apossaram daquilo que poderia livrá-las dessa tendência carnal e mundana — Ele pode expor as evidências do mal em que estão embrenhados. Isso Ele pode fazer utilizando meios que os façam voltar a agir em uníssono com as verdades eternas de Deus, de modo a julgarem, ainda que de forma elementar, essa disposição carnal, a qual é encontrada em todas as épocas naqueles que não se colocam no nível dos propósitos de Deus.

Ou o Espírito pode revelar a verdade de uma forma mais simples, no patamar que for mais adequado. Ele pode falar das características essenciais da natureza divina, denunciando aquilo que, embora plausível, tente se passar por luz cristã, mas que esteja pecando contra a própria natureza divina nas coisas mais básicas. Ele faz isso para conectar as almas mais simples e imaturas às qualidades mais elevadas do próprio Deus na essência de Sua natureza.

[1] É Deus vindo em graça em meio ao mal — é a graça adaptada ao homem nessa condição. Ela revela Deus como nada mais poderia fazê-lo, mas é adaptada ao homem independente de quão mal ele seja; sim, tão mal quanto o próprio mal. De maneira que, enquanto ela lhe dá aquilo que é puramente divino e celestial, assim o faz em meio o mal aqui, e quanto maior este, mais ela se adapta.

Isso, da forma como opera — o bem em meio ao mal — é algo desconhecido em um paraíso terrestre ou celestial, apesar de revelar Deus do modo como Ele será conhecido nos céus. Os anjos almejam contemplar isso. Trata-se, mais ainda, de soberania, graça e sabedoria, algo que o mero bem não pode ser, embora seja ele o objetivo em sua forma mais elevada.

J.N. Darby
darby1John Nelson Darby (18 de novembro de 1800 – 29 de abril de 1882) foi um estudante de Direito e pregador anglo-irlandês e figura de grande influência entre Irmãos de Plymouth. Desenvolveu a doutrina do dispensacionalismo. Realizou uma tradução da Bíblia baseada nos textos hebraicos e gregos, chamada em inglês The Holy Scriptures: A New Translation from the Original Languages by J. N. Darby, também traduzida para o alemão e francês.

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